E Nossa Senhora nos protege? Ah, se nos protege!... Pra começar ela é mãe. Mãe de Jesus e nossa. Na cruz ele disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”. E o que é que a mãe faz? Gerar é uma vez só. Mas velar, cuidar do filho, preocupar-se com ele, sofrer por ele, sacrificar-se por ele... é a vida toda. É isto que faz a mulher ser mãe. É mais do que gerar biologicamente. É amar, e assim gerar espiritualmente o filho. E Maria é mãe. Mãe de verdade, mãe dos irmãos do seu Jesus, único gerado nas suas entranhas. Foi Jesus quem nos abriu as portas da Casa do Pai. Na Casa de tantas moradas, nos introduziu, resgatando-nos com o preço pago por sua própria morte na cruz. E é a própria cruz o lugar da maternidade espiritual de Maria. “Eis aí o teu fiho”. No tempo que ainda viveu na casa de seu novo filho João, ela amou cada discípulo e cada discípula de Jesus como filho ou filha. Amou, apoiou, aconselhou, ensinou tantas coisas. Abriu seu coração para narrar as grandes coisas que o Senhor fez na vida de sua humildade servidora. Ah, ela levou a sério o testamento da cruz: “Mulher, eis aí teu filho”. E João também levou a sério o último pedido do Mestre: “Filho, eis aí tua mãe”. O jovem discípulo a levou para casa, cuidou dela, consolou-a, velou pela mãezinha do Mestre até o dia em que o Pai a chamou para tomar parte na glória de Jesus. E na glória, coroada como rainha do céu e da terra, a mãe da Igreja nascente continuou velando pela sua casa, pelos seus filhos, protegendo-os, confortando-os, acompanhando-os a cada passo. Se aqui a gente pode fazer alguma coisa pelos outros, mais ainda podemos realizar ao lado do trono daquele que É e tudo pode.
É assim que cada filho pode testemunhar hoje que experimenta cada dia o carinho e a proteção da Senhora mãe de Jesus e nossa. Foi assim que filhos humildes e santos falaram dela: um João Bosco ensinando seus meninos a invocá-la como Auxiliadora; um Domingos, ensinando o povo a honrá-la como rosário; um José Keneth inflamando as famílias cristãs a confiarem na mãe e rainha três vezes admirável; as crianças de Fátima apontando-a como consolo dos pecadores; Luiza de Marilac falando de sua proteção milagrosa; tantos, tanta gente... testemunhando que esta mãe está sempre por perto, protegendo, abençoando, auxiliando seus filhos e filhas neste vale de lágrimas.
E Nossa Senhora nos protege. Ora, se nos protege... Quem já viu uma mãe ficar de braços cruzados quando vê seus filhos sofrendo, angustiados ou em situações difícieis. A única diferença é que esta mãe não nos assiste impotente. Ela está ao lado de quem tudo pode e para quem um simples olhar seu já é ordem. Não só porque ele, o filho, é o próprio Deus, mas também porque verdadeiramente ama sua mãe santa e nos ama, a nós pecadores, seus irmãos e irmãs. Maria, nossa mãe, verdadeiramente nos protege.
Uma comunidade pra lá de virtual! Está em crescimento vertiginoso o número de pessoas que navegam regularmente na internet. A internet é correio, é banco, é sala de reunião, escola, rádio, televisão, ponto de encontro e muito mais. Só estava faltando esta: na internet, a gente pode ter também uma comunidade católica funcionando. Saiba mais no bate-papo de hoje.
Você já ouviu falar de Comunidade Católica Virtual? Não, você não está por fora. É que é uma coisa nova, estreante mesmo. Comunidade Católica Virtual é a proposta de formarmos comunidade na internet. Sim, comunidade de verdade. Católica. Mas, virtual. Virtual quer dizer que não é física, como a comunidade que se reúne numa capela. É formada por pessoas que se associam e participam através de um portal, de um site na internet.
Estamos falando, então, da comunidade católica virtual. O que é que ela vai oferecer: é a curiosidade de todos. Uma comunidade se forma ao redor da palavra de Deus. Este é o primeiro serviço da comunidade: reunir pessoas em torno da palavra de Deus. "Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo". Por isso, no portal Amanhecer as pessoas vão poder encontrar mensagens diárias, textos da liturgia do dia, reflexões sobre a palavra de Deus, cursos bíblicos, etc.
Além do serviço da palavra, a comunidade virtual dará um incentivo especial à vida de oração. Quem acessar ao portal vai poder fazer seus pedidos de oração, informar-se sobre a vida litúrgica da Igreja e ser estimulado à oração pessoal. O serviço da caridade não pode faltar em uma comunidade cristã. Por isso, o portal vai incentivar o compromisso cristão e a troca de experiências sobre o engajamento social dos membros.
Quem vai participar desta comunidade, todo mundo que acessar ao portal? Não, só as pessoas que, comungando com a fé em Jesus Cristo, em espírito de adesão à Igreja Católica, quiserem tomar parte e formalmente se inscreverem. A inscrição é feita pela internet, no site da comunidade: www. amanhecer. org. br. Os membros vão participar de uma reunião mensal online (um bate-papo exclusivo). No mais, navegarão no portal no tempo que dispuserem.
Não se entende uma comunidade católica sem a Eucaristia, nem a Confissão. É verdade, sem sacramentos não há Igreja. Por isto a comunidade virtual não pode e não quer substituir a participação de cada membro em sua própria comunidade paroquial. Quer ser, sim, um estimulo permanente à oração, à formação cristã, ao compromisso missionário. E também à participação na vida de sua própria Paróquia.
A comunidade se encontra no portal www.amanhecer.org.br . Neste endereço, as pessoas interessadas podem obter maiores informações, se inscreverem e participarem. A participação é por visitas regulares aos vários serviços oferecidos no site e reunião mensal de todos os membros. A reunião, é claro, é online, por meio de um bate-papo exclusivo. Os membros podem também comunicar-se comigo por meio de um link dedicado ao aconselhamento.
A comunidade católica virtual é uma nova aventura missionária em resposta aos desafios do mundo de hoje à evangelização. Quer ser uma resposta criativa e séria. Precisa do seu apoio e de suas preces.
Velhice não é doença
Tem gente que vive aborrecida porque está com uma idade muito avançada, já não pode fazer o que sempre fez e agora depende dos outros para quase tudo. E pede a Deus pra morrer logo. Se este é o seu caso, chegue mais pra perto. Vamos conversar um pouco... Chegue pra cá.
Você se lembra do tempo em que era criança? Claro que se lembra... Agora nesta idade, as pessoas se recordam mais do passado do que das coisas recentes. Foi uma fase da vida. Depois foi adolescente e jovem. Tempo bom! Na fase adulta, quantas coisas você realizou, puxa vida! Aí veio a terceira idade. Velho? Que nada! Velho é estrada, diz o povo. (risos). .. andado, maduro, experiente. É isso aí. Na vida, vivemos diversas fases.
O erro é pensar que há fases melhores e outras piores. Todas as fases são boas. Ser criança é uma beleza. Mas, só naquela fase. Não dá pra ser criança a vida toda. Quem é que gosta de adultos infantis? A fase da juventude é formidável. Mas, não dá pra ser adolescente a vida toda. Um dia tem que tomar responsabilidade, assumir compromissos definitivos, casar, exercer uma profissão, cuidar de uma família. Quem é que gosta de adultos cheios de gírias e roupinhas avançadas, como um adolescente que está descobrindo o mundo? Cada fase da vida tem seu tempo. A idade adulta também não é má. O trabalho, a família, a vida social, a vida de casado, a educação dos filhos... é um grande corre-corre pra ganhar o pão de cada dia e ver a felicidade da família!
E os anos passam. Chegam os netos. Vem a aposentadoria. Vêm os bisnetos. As forças do corpo vão diminuindo. Chegou a terceira idade. Mas quem foi que disse que a velhice é uma fase ruim da vida da gente? Conversa... Cada fase da vida tem seus problemas e dificuldades. E suas alegrias também. Em cada fase há limites e possibilidades. Na terceira idade, há vantagens também. Você tem mais tempo livre. Tem mais tempo para descansar e passear. Tem mais tempo de ir para a Igreja. Tem o carinho dos filhos, dos netos, de genros e noras, dos bisnetos. Os problemas de sobrevivência são bem menores agora... É claro que tem mais achaques, mais solidão, mais saudades... Mas, tire logo da cabeça que esta é a pior fase da vida. A pior fase da vida é aquela em que a gente não é amado, nem compreendido, nem respeitado. E essa fase pode ser a infância, a juventude e a idade adulta também.
O negócio é você reconhecer que já está noutra fase da vida. Com seus limites, problemas e alegrias próprias de uma nova fase. Não queira ser o adulto que você já foi. Andava meio mundo, resolvia tudo sozinho, era responsável por tudo. Deixe isso para os adultos. Terceira idade é outra história. Peça aos seus parentes que respeitem a sua idade. E procure viver a sua idade. É a hora de exercitar a paciência, que pode ter sido pouca até agora. É a hora de exercitar a humildade, talvez você precise muito dela daqui pra frente. É hora de rezar mais e unir-se mais a Deus. A vida toda você quis fazer isso e não teve calma e tempo. Agora é a sua chance. Rezar mais e unir-se mais a Deus. É assim que preparamos bem o nosso futuro.
Você está na terceira idade. Parabéns. Nem todo mundo chega até aí. Esta é uma fase para ser vivida com dignidade e altivez. Por isso, não se permita ser aborrecida, enjoada, reclamona. Seja o que você sempre foi: bondosa, amorosa, cordial. Deixe de conversa sobre morte. A morte existe para todos, para novos e velhos. Você ainda vai ver muita gente nova partir para a eternidade. Deixe isso lá com Deus. É ele que sabe a hora. Velhice não é doença. É só uma outra fase da vida da gente. Cuide de viver bem esta nova fase de sua vida. Vai ver que esta será a melhor fase de sua existência. Que Deus a abençoe!
O mandamento do amor
Cristianismo não é só olhar para cima. É também olhar para os lados. Amar a Deus e amar o próximo. São as lições que colhemos no evangelho.
E quem é o meu próximo? Esta foi a pergunta do mestre da lei. Jesus respondeu com uma pergunta: Quem foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes? Quem é o meu próximo já sabemos: é quem está sofrendo, quem está marginalizado, quem vive em situação de desprezo e humilhação. O negócio não é tanto saber quem é o meu próximo. O próximo é o assaltado, prostrado na estrada. É fácil identificá-lo. O importante são os gestos pelos quais me torno próximo de quem está sofrendo. Sou que eu preciso ser próximo dele ou dela.
O cuidado com os pequenos e sofredores – como o próximo – tem um porquê, uma explicação: o amor de Deus. Na parábola do bom samaritano, o mestre da lei lembrou bem o que a Bíblia ensina: “Amarás ao Senhor teu Deus, de todo coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças, com toda a tua inteligência. E ao próximo, como a ti mesmo”. O amor radical a Deus expressa-se no amor aos semelhantes, ao próximo. Amor a Deus sobre todas as coisas, como reza o primeiro mandamento da Lei de Deus. “De todo coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças, com toda a tua inteligência”, como diz o Livro do Deuteronômio. “E amor ao próximo, como a si mesmo”, completa o livro sagrado.
Não dá para separar o amor a Deus do amor ao próximo. O cuidado para com os humilhados é uma consequência do amor que temos para com Deus. Não é só dar uma esmola, fazer um favor, dar uma ajuda. É que isto pode ser uma expressão do amor que temos pelos irmãos. Amor ao próximo. O nosso amor a Deus, incondicional, radical, nos leva a amar e respeitar os outros. Não dá para voltar-se para Deus com todo o coração e toda a alma, e esquecer o irmão ao meu lado ou perto de mim. Quanto mais me aproximo de Deus, mais tenho compaixão dos sofredores, mais comprometido me sinto com a sorte dos menos favorecidos.
E o que devemos aos outros? Ajuda, defesa, apoio, perdão, partilha e muito mais. Mas, o bem mais precioso que podemos comunicar aos outros é a nossa fé e a nossa comunhão com Deus. Somos herdeiros da vida eterna: este é o bem maior que desejamos partilhar com outras pessoas. Porque as pessoas não precisam só de comida e justiça social. Precisam também de sentido para viver, anseiam por felicidade, por plenitude. É que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Temos sede de infinito. Ter amor aos irmãos é por isso querer comunicar-lhes a vida plena que há em Deus, a felicidade que há na sua presença, o seu amor.
“Amarás ao Senhor teu Deus, de todo coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças, com toda a tua inteligência. E ao próximo, como a ti mesmo”. Amar a Deus. Amar o próximo. Como disse Jesus, este é o resumo da lei e dos profetas, a síntese de toda a vida cristã. O Senhor Jesus, o bom samaritano, nos ajude a viver o mandamento maior do amor.
Pais, filhos e liberdade Não ensinando a liberdade, progressivamente, teremos seres inseguros no futuro. Serão presas fáceis de outras dependências: deixarão de depender dos pais para depender de uma paixão irracional ou de amizades na rua.
Tanta gente preocupada com os filhos. E com razão. Filho pequeno dá um trabalhão. E quando crescem, aí é que o trabalho aumenta. E a preocupação também. É adolescente se envolvendo com drogas. É jovens se envolvendo em romances desastrados. Gente que não aceita conselhos, que quer resolver sua vida sozinha. Gente rebelde que não tolera perguntas e intromissões na sua vida particular.
E os pais se perguntam? Onde foi que nós erramos? E há também quem jogue logo toda a culpa nos jovens e os considera uns desmiolados. A verdade é que os tempos não são fáceis nem para os pais nem para os filhos. Os pais de hoje não quiseram criar os seus filhos como os pais de antigamente, na corda curta. Sonharam um modo mais democrático de educar os filhos. Abandonaram o modo como foram criados, debaixo de ordens. Estavam mais do que certo. Mas, houve alguns que, por causa disso, soltaram demais as rédias. E agora não tem mais rédia para puxar. Outros apertaram demais, e agora os adolescentes deram o grito de independência. Também estes estão num mato sem cachorro.
As crianças dependem quase que exclusivamente dos pais. A liberdade é coisa que vai se aprendendo aos poucos. O menino, a menina, à medida que crescem, vão crescendo também na sua autonomia. Quando vão se tornando maiores, vão assumindo a vida com maior responsabilidade. O ideal é que os pais vão dosando na educação para a liberdade, de tal forma que com o passar do tempo, o filho vai amadurecendo na responsabilidade e na autonomia. Quando adultos, terão nos pais apenas uma referência, pedirão um conselho, encontrarão neles uma motivação. Mas, saberão responder pessoalmente pelas suas decisões e atos.
Se prender demais, o filho na adolescência terminará explodindo. Se não ensinar a liberdade, progressivamente, teremos seres inseguros no futuro. Serão presas fáceis de outras dependências: deixarão de depender dos pais para depender de uma paixão irracional ou de amizades na rua. Tem que ensinar a liberdade aos filhos. E dando responsabilidade e autonomia aos poucos. Crianças muito controladas e dependentes, serão adultos desajustados e rebeldes. Crianças muito soltas, que não aprendem os limites da vida, podem se tornar seres irresponsáveis e sem referências. A criança tem que aprender que há limites, que há deveres, que há comportamentos desaconselháveis. Se cada vez que fizer pirraça, consegue o quer, nunca aprenderá que a vida é também feita de ordem, disciplina e renúncia.
A autonomia e a liberdade não são frutos do tamanho do sujeito. Nem resultado da idade. Autonomia, responsabilidade e liberdade são frutos da educação que se recebe. Por isso, se os pais educaram bem os filhos para a vida, têm que saber que a uma certa altura da vida o filho será dono de sua própria vida. Se foi bem preparado. Se foi progressivamente introduzido na responsabilidade de viver. Não pode ser monitorado. Depois de uma certa idade, os filhos têm que responder pela própria vida. Com quem vai casar, isso é responsabilidade dele ou dela. Os pais aconselham, mas podem obrigar. Nem com ordens, nem com chantagens. E não devem ficar super-preocupados, ansiosos, adoecerem porque não gostam da escolha. Deixe-o cuidar de sua própria vida. Que profissão vai exercer: a partir de um certo ponto, é responsabilidade dele. Os pais lavam as mãos. Orientam, aconselham... e deixam que resolva. O que tinham que fazer, deviam ter feito na infância e na adolescência dele. Agora é com ele.
É claro, que vocês vão me dizer, mas mãe é mãe. Pai é pai. Tá certo. Mas preocupação demais, depois que eles já são adultos, pode significar que vocês ainda querem controlar a vida deles. A parte de vocês foi educá-los, corrigi-los, amá-los. Educá-lo para a vida. Fizeram isso bem? Então, não precisa tanta preocupação. Rezem por eles. E deixem que eles resolvam a própria vida. E parem de sofrer como se tudo dependesse de vocês.
Educar para a liberdade. Uma tarefa nada fácil para os pais nos dias de hoje.
As viúvas do evangelho
A discriminação da mulher continua ainda hoje, apesar das conquistas feitas pelas mulheres e também pelos homens. O papel dos cristãos é fermentar a sociedade com o bom fermento do evangelho. E o evangelho, que foi anunciado por Jesus dentro de uma sociedade patriarcal, liberta a mulher de sua condição de inferioridade e também o homem de sua condição de desumanização ao discriminar a mulher.
A mulher judia, no tempo de Jesus, era considerada inferior ao homem. O marido é que era o dono da mulher. Se estivesse solteira, o dono era o pai. Se ficasse viúva, pertenceria ao cunhado solteiro. Lembra aquele fato que os saduceus perguntaram de quem a mulher iria ser esposa, se viesse a ressuscitar? Vamos ler: Mc 12, 19: “Mestre, Moisés escreveu para nós: Se alguém morrer, e deixar a esposa sem filho, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de que possam ter filhos em nome do irmão que morreu”. No caso apresentado pelos saduceus, ela casou-se com os sete irmãos, sem ter filhos de nenhum. Queriam, é claro, achar algum erro em Jesus na questão da ressurreição. Mas, vejam, porque ela teria que se casar de novo? Porque ela mesma não podia ter nada no seu nome, só o marido ou os filhos homens podiam ter bens. Então, para ter algum amparo ela teria que se casar com um irmão do falecido.
Veja então como é sério quando o evangelho fala de viúvas. Está se referindo a uma categoria muito excluída. Só o fato de ser mulher já era uma condição de inferioridade. Lembra da viúva de Naim? Jesus parou o sepultamento do filho único da viúva. E o devolveu vivo a ela. Uma viúva, sem filho, está completamente desamparada. Vamos ver Lc 7,15: “O morto sentou-se, e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe”. O filho órfão é a única proteção e segurança da viúva. A viúva é um dos últimos dos pobres e desemparados. Dá até pra lembrar a cena da viúva pobre que depositou duas moedinhas no cofre. Foi elogiada porque deu tudo quanto tinha para viver.
Os homens recebiam instrução religiosa, as mulheres não. Os meninos podiam estudar na Sinagoga, as meninas não. Os doutores da lei não tinham discípulas, só discípulos. Testemunho de mulher no tribunal não valia. Um homem não devia encontrar-se a sós com uma mulher: era uma regra de boa educação daquele tempo. Nem falar com uma mulher na rua. Não era normal que um homem conversasse com uma estranha.
E antes que as mulheres fiquem com raiva, vou logo dizendo que Jesus não era assim: ele tinha discípulas também, as mulheres faziam parte do seu grupo e ele conversava com elas a sós. Lembre, por exemplo, ele sentado na beira do poço de Jacó, conversando com a Samaritana. E reparem só o espanto dos discípulos quando voltaram da cidade e o encontraram conversando com a estranha: Jo 4,27: “Nesse momento, os discípulos de Jesus chegaram. E ficaram admirados de ver Jesus falando com uma mulher, mas ninguém perguntou o que ele queria, ou por que ele estava conversando com a mulher”.
Homens e mulheres fomos chamados para fazer parte do Reino de Deus, em pé de igualdade. Este é o ensinamento das palavras e da prática de Jesus. O que conta não é o gênero, a cor, a raça. Conta o coração convertido. O Senhor nos ajude a fazer na Igreja a experiência da mútua valorização de homens e mulheres, com a força do seu evangelho.